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domingo, 29 de outubro de 2006

Por essa a grande mídia não esperava

Por muito tempo as grandes emissoras contaram com um tipo único de telespectador, aquele que ligava a TV às 18hs para assistir a novela e não ia dormir sem antes dar boa noite no Jornal Nacional. Esse tipo de telespectador ficou recentemente conhecido com o “telespectador Homer”, sim sim, Homer de Homer Simpsom. O pai de família, inerte, que aceita e acha graça de tudo aquilo que a TV apresenta, sem criticar e questionar tais ações. Passa o dia deitado no sofá de cueca e do lado sua velha e boa cerveja, como se tudo tivesse as mil maravilhas. Pra que se preocupar? Se acontecer algo que realmente venha colocar em perigo a sua vida, é só ligar a TV e “seus problemas acabaram”.

Esse telespectador finalmente esta em extinção e a sua tendência de desaparecer só aumentou depois do pleito de 2006. O culpado, ou melhor, a culpada: a internet.

A explosão de blogs e comunidades no orkut nestas últimas semanas nunca foram vistos em nenhuma campanha eleitoral como nesta. A prova está nas principais comunidades dos candidatos à presidência no segundo turno: a Comunidade “Geraldo Alckmin Presidente 45” que tem até agora 222.979 orkuteiros e a “Nós Votamos LULA Presidente 13” tem 108.481. Essa mudança fez até os candidatos mandarem mensagens especiais direcionadas aos orkuteiros e leitores de blog.

Usuários comuns, jornalistas de respeito encontraram nos blogs e no orkut o espaço ideal para publicar suas idéias longe de qualquer manipulação, edição ou farsa hollywoodiana que os grandes meios fazem antes da publicação de qualquer notícia que venha ferir seus “princípios” políticos-econômicos. E é por conta deste princípio que essa discussão torna mais evidente no período eleitoral.

O fato é que a internet teve um papel muito importante na cobertura das eleições 2006. Enquanto a grande mídia (Veja, Globo, Época etc) mostrava discaradamente a sua parcialidade, a mídia on-line vinha para analisar os fatos e desmascarar o jogo de poder.

O agente dessa mudança é o novo público brasileiro. Encabeçado por jovens dispostos a derrubar as máscaras dos grandalhões. Esses jovens viraram grandes detetives, e vasculhavam todos os cantos atrás de fatos que pudessem comprovar ou derrubar aquela notícia.

No meio dessa reviravolta, eis que contamos com um dos grandes aliados dessa nova mídia junto com outra série de revistas e sites: a revista Carta Capital, que começou a desmantelar todo o jogo entre mídia e política que resultou no caso dossiê, conforme mostrei no texto anterior. A briga ficou feia, os pequenos (pequeno em expressão nacional) da Carta Capital bateram de frente com os grandalhões (mais precisamente Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo) com a publicação da edição 415 que trazia na capa “A trama que levou ao segundo turno” e a edição 416 que tinha como capa o título "Veja, contribuições ao dossiê da mídia".

A partir daí começou uma campanha pela moralização da mídia. Foram enviados e-mails de repúdios a estes veículos e campanhas para cancelamento de assinatura das revistas de tendência parcial. Sem sombra de dúvidas, a pulga começou a coçar atrás da orelha de muitos grandalhões, já que e-mails de repúdios e cancelamentos não fazem bem nem a moral e nem ao bolso destes.

Quando a poeira das eleições baixar, editores, jornalistas, presidentes de toda a mídia vão ter que parar e avaliar seus conceitos. Já que o Homer agora ganhou um computador e viu que a TV era tão burra quanto e não sabia de nada. O Homer descobriu no computador, primos e irmãos da televisão muito mais inteligentes que mostram tudo aquilo que a TV não conseguia. A verdade é que o velho Homer está pensando em vender a TV, será que alguém quer comprá-la?

sábado, 14 de outubro de 2006

Por uma mídia imparcial

A revista Carta Capital desta semana (13/10) traz como matéria-capa a seguinte manchete: "A trama que levou ao segundo turno" e na foto o símbolo da rede globo e o símbolo do PSDB. Na reportagem, desvenda-se um esquema "maquiavélico" (não estou exagerando na palavra se levarmos em conta a conseqüência deste ato) onde o policial federal Edmilson Pereira Bruno (aquele que participou das prisões do esquema do Dossiê e logo em seguida foi afastado do cargo) junto com quatro repórteres acertam a publicação das fotos do dinheiro do tal dossiê. O policial exige e pede garantia de que as mesmas sejam publicadas no dia 29 no JN sem falta (quem ler a matéria vai ver que ele deixa isto bem claro). Ele ainda pede aos repórteres que informem que as fotos foram roubadas provavelmente por jornalistas e repassadas para eles e garante que antes de sair a matéria vai dar essa desculpa ao seu superiores. Toda essa conversa foi gravada por um dos repórteres sem o policial saber e maiores informações podem ser conferidas na matéria.

A questão é: se os repórteres sabiam da não veracidade da origem das fotos, porque mesmo assim, publicaram nos jornais, nas revistas, na TV a história mentirosa proposta pelo policial? Em questões de minutos (ou horas) de conversa toda uma ética profissional foi jogada no lixo.

O fato é que a maneira como a notícia das fotos do dinheiro foi apresentada pela mídia, principalmente pela rede globo, teve grande influência no pleito do dia 1º. Só para ter uma idéia, em meio ao acidente do vôo 1907 da GOL, o JN sequer deu importância a este fato e saiu bombardeando para todos os lados o caso das fotos. O que percebemos é que desde que o Presidente Lula faltou ao debate da emissora e consequentemente a mesma perdeu grandes pontos no Ibope de audiência naquela noite, a Rede Globo não mediu esforços para atacar o presidente-candidato em seus noticiários.

Não precisamos ir muito longe para ver o caminho que a grande mídia está tomando, onde a política dos favores e a política do dinheiro estão passando por cima de qualquer conceito ético. Nas eleições para governador do nosso estado, vimos claramente o poder de grupos políticos no controle da opinião pública. Para citar exemplos, a manchete do Correio de Sergipe do dia 01 de Outubro dizia: "João Alves tem 7% de vantagens sobre Déda". Isso é inaceitável, uma manipulação descarada da opinião pública na tentativa desesperada de reverter uma situação política. Ao invés de irem para a TV, aos jornais e apresentarem propostas úteis a sociedade para reverter o quadro apelam para as mais sujas soluções.

Outra prova da manipulação foi a matéria publicada no jornal O Globo do dia 19 de Setembro quando o “caso dossiê” surgiu na mídia. A primeira linha trazia: “O escândalo da compra de um falso dossiê para tentar incriminar o candidato tucano José Serra (...)”. Eu fico impressionado com a equipe de investigadores destes jornais, que horas após a descoberta do Dossiê já conseguem declará-lo como falso. Daí para frente. a imprensa ficou mais preocupada em saber a origem do dinheiro (e atacar o governo) do que saber o que tinha no tal dossiê (que pode comprometer muitos tucanos).

Tenho minha posição política, muitos conhecem, mas não quero com esse texto defender candidatos, quero mostrar a minha insatisfação e revolta com o caso. A mídia não está sendo justa com a sociedade quando oculta e modifica fatos a pró-favor sem pensar em suas conseqüências sobre a sociedade brasileira.

É nessas horas que agradeço ao acesso a internet. Sem espaço na televisão, uma nova forma de mídia está se desenvolvendo: a mídia digital. Não falo dos sites grandes ligados a mesma mídia manipuladora da televisão, mas sim dos novos sites criados na rede que pregam cada vez mais uma imprensa independente dos grandes grupos políticos-econômicos do nosso país.

Nós últimos dias acabei encontrando várias fontes desta "nova" (pelo menos para mim) imprensa e aconselho a todos que estão cansados disso tudo que passem a ler, ou apenas acessem para conhecer e ver o outro lado da história livre destes grupos que massacram a sociedade com mentiras e distorções.

É isso pessoal, no final coloco as fontes dos dados que usei e os link alternativos que citei. Abraços e até o próximo texto (assim espero).

Visitem: www.novae.inf.br e www.consciencia.net

Site da Revista Carta Capital: www.cartacapital.com.br

Transcrição de boa parte da reportagem:
http://www.pt.org.br/site/noticias/noticias_int.asp?cod=45754

(é do site do PT, mas vale porque está transcrevendo exatamente o que tem na reportagem, ou vocês acham que eu ia encontrar essa transcrição no globo.com, folha.uol.com.br ou no geraldo45.org.br?)

Capa Correio de Sergipe do dia 01/10/2006:
http://www.correiodesergipe.com.br/capa.php?imagemgr=011006MA.jpg